presidente Janio Quadros, aquele que bebia porque era líquido, mas come-lo-ia se fosse sólido, renunciava ao cargo pelo qual foi levado pelo voto popular. Ainda segundo a história, foi uma jogada para voltar mais forte e imbatível. Só que o tiro saiu pela culatra de um jeito que ninguém soube explicar. Entrou Jango, caiu Jango, veio 31 de março, que virou primeiro de abril e o resto é História.
Eu, obviamente, não estava lá (pelo menos não como essa persona, caso alguém que leia esse post creia em reencarnação), mas meu pai, sim. Nascido no bairro da Liberdade (não, ele não é japonês), batizado na igreja da Boa Morte, infância, adolescência e o começo da vida adulta passadas na rua dos estudantes, ele teve uma convivência, digamos, muito próxima com o que naquela época não sonhava, penso eu (mas não muito, porque a ambição sempre foi um traço forte de sua personalidade), em ser presidente do Brasil.
Janio era professor de língua portuguesa, segundo meu pai me contou em algum ponto da infância, quando eu era um garoto que ficava brincando no museu do Ipiranga. Não lembro de alguns detalhes, afinal de contas já se foram bem mais de 20 anos… enfim, tudo é vaga lembrança. Mas, do que eu lembro, outros traços marcantes me foram passados: o estrabismo divergente (até a virada do milênio eu também era e do mesmo jeito, comumente conhecido como “um olho no peixe e outro no gato”) e o alcoolismo. Lembro das narrativas do bar do João Sujo (se não me engano era esse o nome), que tinha uma escada encardida devido ao incontável número de bêbados que vomitaram naqueles degraus. Há muito mais, talvez, mas para o registro do momento histórico basta.
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